sábado, 31 de janeiro de 2015

Lula é um fato novo. Dilma é um fato novo


Lula e Dilma na mira das empreiteiras

Lula e Dilma Rousseff. A partir de agora, esse é o alvo das empreiteiras. 

Uma reportagem da Veja, publicada hoje, conta que os quatro executivos da OAS presos pela Lava Jato se reuniram com seus advogados e resolveram tentar uma última cartada antes de sucumbir para sempre: atingir os dois presidentes petistas que eles ajudaram a financiar e a eleger. 

O presidente da empreiteira, Léo Pinheiro, esclareceu qual será seu discurso: "Vocês acham que eu ia atrás desses caras para oferecer grana a eles?"

A OAS também mandou avisar, através da Veja, que já escolheu quem será seu primeiro delator: Ricardo Breghirolli, o homem encarregado de fazer os pagamentos aos partidos e aos políticos corruptos.

Os executivos da OAS, assim como os da Camargo Corrêa, que negociam um acordo com os investigadores da Lava Jato desde dezembro do ano passado, sabem que, para obter um desconto na pena, têm de apresentar fatos novos ao Ministério Público. 

Lula é um fato novo. 

Dilma Rousseff é outro fato novo.

O Antagonista

Em defesa, Dirceu não revela o nome de empresas que o contrataram


Dirceu rumo ao escritório onde trabalha (Foto: Estadão)

Na defesa que entregou à Justiça Federal em Curitiba na tarde desta sexta-feira, o ex-ministro José Dirceu não cita as empresas - tampouco empreiteiras investigadas pela Lava-Jato - que contrataram os serviços da JD Assessoria e Consultoria. Alegando cláusula contratual de confidencialidade, a defesa apresentou alguns documentos sobre os negócios com a OAS, UTC e Galvão Engenharia, já na mira da Justiça, mas poupará o nome de outras empreiteiras e empresas dos setores de telecomunicações, logística, comércio exterior, além de diversos setores industriais para os quais Dirceu teria prestado consultoria nos Estados Unidos e em países da Europa e América Latina depois de deixar o governo, em 2005.

A petição da defesa, cujo conteúdo é sigiloso e ao qual o GLOBO teve acesso, se concentra em abordar os negócios de Dirceu com essas três empreiteiras que, segundo o documento, representam 16% do faturamento da JD. Mas não traz detalhes das negociações travadas com as empresas nem da atuação de Dirceu em favor delas. Para tentar derrubar a tese de que seus negócios eram de fachada, a defesa de Dirceu apresentou à Justiça os passaportes do ex-ministro entre 2006 e 2012. Ele alega ter feito mais de cem viagens ao exterior no período entre 2006 e 2012 para cuidar dos negócios das empresas que o contrataram.

Na semana passada, o ex-ministro teve os sigilos telefônico e bancário quebrados e passou a ser investigado no âmbito da operação Lava-Jato depois que a Justiça verificou que a JD havia recebido R$3,7 milhões das empreiteiras OAS, UTC e Galvão Engenharia. A suspeita é de que a JD jamais tenha prestado serviços de consultoria e que os recibos sejam uma fachada para encobrir repasses de dinheiro desviado da Petrobras. A juíza Gabriela Hardt, responsável pela decisão, disse ver semelhanças entre os negócios firmados pela JD e o esquema de corrupção capitaneado pelo doleiro Alberto Youssef.

Leia mais em O Globo

DEPUTADO APRECIADOR DE CACHAÇA USOU TORNOZELEIRA


PMN- Deputado Francisco Tenorio

Imagem não parece uma prioridade para o deputado Francisco Tenório (PMN-AL). Ele fez os cofres públicos ressarcirem os 4 reais que pagou por uma lapada de cachaça Sagatiba, conforme comprovante em poder da coluna, incluindo-a entre as despesas reembolsáveis da verba do “cotão parlamentar”. Acusado de homicídio, ficou preso mais de um ano e chegou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial.

O deputado Francisco Tenório, que nos fez pagar sua cachaça, recebe R$ 37.318,73 mensais do “cotão”, além do salário de R$ 33.763,00.

O “cotão” mensal dos deputados já pagou até contas de motel do deputado e ex-ministro do Turismo Pedro Novais (PMDB-MA). Leia na Coluna Cláudio Humberto.

À espera do petrolão, Congresso liga o dane-se



O Congresso inaugura neste domingo uma legislatura condenada a defrontar-se com um desastre definidor do seu caráter. Todos sabem que o petrolão, espécie de asteroide político, vai se chocar com a edificação de Oscar Niemeyer. Prestes a se tornar uma instituição ainda mais frágil num sistema político cada vez mais precário, o Parlamento vive seus últimos dias de ansiedade antes da explosão. E o que faz? Em vez de tentar salvar a alma, entrega-se aos seus vícios mais calhordas. Sem disfarces.

O primeiro ato dos congressistas após a posse será a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara. A grande novidade do processo é a ausência de novidades. Ouve-se de tudo no Legislativo —do tilintar de verbas orçamentárias à oferta de cargos. Só não se escuta um debate consequente sobre a certeza do choque com o asteroide e a melhor maneira de evitar que as dezenas de ações que a Procuradoria moverá contra parlamentares no STF se converta numa desmoralização irreversível de uma classe já tão esculhambada.

No Senado, o favorito é Renan Calheiros, um político cuja reincidência tornou-se prova irrefutável da insanidade reinante na política brasileira —uma atividade em que prontuários são confundidos com biografias. Símbolo mais poderoso dessa vocação para a reabsolvição perpétua, Renan reivindica sua tetrapresidência com o aval do PMDB e com as bênçãos de Dilma Rousseff. O rival Luiz Henrique, também peemedebista, vai à disputa como azarão.

Na Câmara, a mesma Dilma que conspira a favor de Renan faz cara de nojo para Eduardo Cunha, outro favorito do PMDB. Mobilizada pelo Planalto, uma infantaria de ministros promete mundos e, sobretudo, fundos aos deputados que se dispuserem a votar no petista Arlindo Chinaglia, vendido como heroi da resistência, o único capaz de fazer da Câmara uma Casa “independente” do Executivo. Nessa dança de elefantes, Júlio Delgado (PSB) e Chico Alencar (PSOL), outros dois pseudo-concorrentes, fazem figuração.

O convívio com a certeza pré-anunciada do desastre não fez bem ao Congresso. A instituição entregou-se de vez ao deboche. Ligou o botão de ‘dane-se’. Difícil escolher uma metáfora para o que sucede no Legislativo. Brincar de roleta-russa sobre um sumidouro talvez seja a descrição mais adequada.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

MEDO FAZ O PLANALTO HESITAR SE ‘ATROPELA’ CUNHA

ELA NÃO SABE SE É PIOR EDUARDO CUNHA GANHAR OU SER UM LÍDER RESSENTIDO

Fotos: sites oficiais PT e PMDB
Deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Eduardo Cunha (PMDB).

Candidato a presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) agora conta com o temor de quem mais o despreza: Dilma já não sabe se é pior a vitória dele ou vê-lo como líder do PMDB ressentido com o rolo compressor que o governo eventualmente acione para derrotá-lo. Tido no governo como “gênio do mal”, Cunha consegue aos poucos consolidar no próprio Planalto a sensação do “já ganhou”.

Quem tem trabalhado na campanha de Eduardo Cunha é sua filha, a publicitária Danielle Cunha. Ela cuida das redes e do PMDB Jovem.

Tanto Eduardo Cunha quanto Arlindo Chinaglia espalharam cartazes e faixas ao longo da Esplanada dos Ministérios.

Para “tranquilizar” Dilma, Eduardo Cunha mandou dizer a ela que é “fofoca” a ameaça de colocar seu impeachment em votação.

Diante da crise, uma decisão extrema de Dilma institui... o Dia do Milho!



Tem razão Ricardo Setti: nada como uma presidente ágil, atenta, comandando com firmeza a nau brasileira em mares revoltos. Agora a coisa vai mesmo:

Nada como uma presidente atenta e ágil.

Vejam só: temos o escândalo do petróleo ameaçando tragar a Petrobras e abalar as estruturas do governo, do PT e de partidos aliados no Congresso.

O país estagnado no crescimento zero.

A inflação prometendo continuar incomodando, só começando a se estabilizar, se tudo der certo, em 2016.

A queda na criação de empregos já assustando.

O governo subindo três vezes os juros para domar os preços, subiu impostos e já cortou alguns direitos sociais.

E por aí vai.

Como, porém, o governo Dilma não tem culpa de nada, conforme esclareceu ontem a presidente — os problemas estão no crescimento menos rápido da China e dos Estados Unidos, na queda internacional dos preços de produtos que o Brasil exporta (coisa de gente de lá de fora), até o clima tem sua parcela de responsabilidade (não deixa chover para encher as represas das hidrelétricas) –, a presidente pode sossegadamente adotar medidas drásticas.

Assim sendo, surgiu o primeiro resultado da ida da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura: está criado, enfim, mais de cinco séculos depois da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, o Dia do Milho.

A partir de agora, com o Dia do Milho, nossos problemas serão zerados. Imaginem, então, com o acréscimo do Dia Nacional do Técnico Agrícola e até da Parteira Tradicional. Governar, portanto, é baixar decreto instituindo “dias de”. Confiram na matéria do Estadão:

Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo

O Diário Oficial da União traz nesta quarta-feira, 28, quatro medidas adotadas pela nova gestão da presidente Dilma Rousseff.

Nenhuma delas vai mudar nada na vida do brasileiro. Duas delas foram propostas pela nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu: a criação do Dia Nacional do Milho e do Dia Nacional do Técnico Agrícola.

O Diário Oficial também trouxe o texto da lei que institui o Dia Nacional da Parteira Tradicional e o Dia Nacional da Vigilância Sanitária. Confira abaixo a íntegra as novas leis:

Dia Nacional do Milho

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O Dia Nacional do Milho, destinado a estimular e orientar a cultura do milho, será comemorado anualmente, em todo o território nacional, na data de 24 de maio.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de janeiro de 2015; 194o da Independência e 127o da República.

DILMA ROUSSEFF

Kátia Abreu

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Garotas processam Feliciano


Yunka e Joana dizem que beijo durante culto em S. Sebastião em protesto. Foto: Reprodução

As ex-namoradas Yunka Mihura, 21 anos, e Joana Palhares, 19 anos, processam o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e pedem uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais.

Elas se beijaram durante um culto presidido por Feliciano em São Sebastião, em setembro de 2013, e foram detidas pela Guarda Civil.

O pedido de prisão partiu do próprio Feliciano, que disse na ocasião: “Essas duas precisam sair daqui algemadas”.

Na época, as garotas disseram que o beijo era uma forma de protesto contra a homofobia. “Nós levamos cartazes e a guarda pegou. Decidimos protestar com aquele beijo e não havia nada de errado, o evento era público”, disse Joana.

O advogado das mulheres, Daniel Galani, disse que as duas também foram agredidas e humilhadas pelos guardas civis, e que por isso move outra ação contra a Prefeitura de São Sebastião, também no valor de R$ 2 milhões.

“O valor é alto para ser um divisor de águas na luta contra a homofobia”, afirmou. “O Feliciano considerou um beijo como crime. E a agressão veio depois do discurso de ódio”.

Ameaças. Segundo o advogado, as duas jovens, que se mudaram para Ilhabela, já receberam mais de 300 ataques homofóbicos nas redes sociais depois do episódio.

A Prefeitura de São Sebastião informou que ainda não foi notificada da ação.

Em nota, Feliciano disse que as jovens se manifestaram de forma desrespeitosa durante o culto e que se sentiram ofendidas por ele ter pedido aos guardas que “cumprissem o seu dever”.

O deputado afirmou ainda que não foi notificado oficialmente da ação, mas que sua assessoria jurídica “está preparada para responder quando necessário”. Ele terminou a nota dizendo que perdoa as jovens e que pede a Deus que “ilumine a vida” delas.

O Vale


Não vai ter Olimpíada



Sérgio Moro disse o que tinha de ser dito: as empreiteiras incriminadas na Lava Jato devem ser imediatamente afastadas de todas as obras públicas. 

A Folha de S. Paulo, hoje, mostra que o governo, em vez de seguir o caminho recomendado por Sérgio Moro, faz o contrário. Dos R$ 37,7 bilhões previstos para as obras da Olimpíada, as empreiteiras envolvidas na Lava Jato vão embolsar R$ 27,5 bilhões. Ou 73% do total.

O pastor da Igreja Universal que assumiu o ministério dos Esportes, George Hilton, e o tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff que vai assumir a Autoridade Pública Olímpica, Edinho Silva, devem estar felizes. Mas o Estado, além de se tornar cúmplice, mais uma vez, das empreiteiras corruptoras, terá uma penca de obras inacabadas pelas mãos, porque muitas dessas empresas vão falir nas próximas semanas ou nos próximos meses. 

A OAS já deu dois calotes e teve sua nota rebaixada pela Moody's para D - ou Default. A Odebrecht perdeu o grau de investimento. A Andrade Gutierrez está no patamar de Angola. A Queiroz Galvão e a Mendes Junior despencaram. 

Quantas delas sobreviverão à Lava Jato é incerto. O que se sabe, desde já, é que elas não podem ganhar mais um tostão de dinheiro público. E que, desse jeito - repetindo o bordão da Copa do Mundo -, não vai ter Olimpíada.

O Antagonista

AÇÃO CONTRA PETROBRAS NÃO POUPA DILMA NEM PT


Na justificativa do veto, Dilma destaca que o projeto é anterior à Emenda das Domésticas FOTO: (André Dusek/AE)

A ação civil coletiva proposta por acionistas da Petrobras nos Estados Unidos, na Justiça de Nova York, atesta que o esquema de corrupção conhecido no Brasil como Petrolão “pagou propina a membros do Partido dos Trabalhadores (PT), partido da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.” Uma das provas apresentadas é o testemunho do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa à Justiça Federal.

Graça Foster e os ex-diretores da Petrobras Sérgio Gabrielli, Renato Duque e Paulo Roberto Costa também são citados na ação.

A ação sustenta que a Petrobras não cumpre há pelo menos 5 anos o Exchange Act e as regras do mercado de ações nos EUA.

Os executivos enrolados no assalto à Petrobras tinham autoridade para dar contratos superfaturados às empreiteiras que queriam, diz a ação.

Cerveró mandou recado para Dilma



Não foi por um simples engano que a defesa do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró arrolou a presidente Dilma Rousseff como testemunha de defesa do executivo em um dos processos da Operação Lava-Jato na Justiça Federal do Paraná. A manobra foi intencional, mais um recado dele ao Planalto de que não vai aceitar sozinho a culpa pela compra da Refinaria de Pasadena (EUA), em 2006. O negócio deu prejuízo de US$ 792 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, protocolou nesta segunda-feira a defesa no processo em que o ex-diretor é acusado de receber propina por contratos de navios-sonda. Dilma estava entre as testemunhas porque foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras até 2010, quando concorreu à Presidência pela primeira vez.

Menos de três horas depois, o advogado retirou o nome dela da lista, alegando um erro identificado pelo próprio Cerveró. O Conselho não tinha ingerência sobre esse tipo de contrato. Segundo uma fonte próxima a Cerveró, o erro foi proposital para mostrar a disposição dele de apontar a responsabilidade de Dilma na compra de Pasadena, esse sim um tipo de negócio que só poderia ser feito com aval do Conselho. 

Cerveró nunca engoliu o fato de Dilma, em março de 2014, tê-lo acusado de induzir o Conselho a erro com um resumo executivo “técnica e juridicamente falho”. Em maio, ao depor numa comissão da Petrobras, ele entregou um documento elaborado por seu advogado mencionando o Estatuto Social da estatal para demonstrar que a decisão não poderia se basear só no resumo técnico. Em seguida, enviou texto similar à Comissão de Ética Pública e à CPI da Petrobras.

Desde o início do escândalo, Cerveró tem dito a amigos que não será o “bode expiatório”, dando a entender que Pasadena servia a interesses de outros executivos, como seu sucessor no cargo, Jorge Zelada, e Renato Duque, ex-diretor de Serviços. Ao GLOBO, Ribeiro reafirmou que o erro não foi intencional, mas confirmou a linha de defesa de responsabilizar o Conselho.

O Globo