terça-feira, 30 de setembro de 2014

VOX POPULI VAI ÁS MESMAS CIDADES PARA FAZER PESQUISAS PRESIDECIAIS


dilma e marinaO Vox Populi, que ontem trouxe Dilma Rousseff treze pontos à frente de Marina no primeiro turno, fez suas últimas quatro pesquisas presidenciais nas mesmas 147 cidades. Duas pesquisas foram encomendadas pela Carta Capital e outras duas pela Record.

A exceção na lista de cidades pesquisadas pelo do Vox Populi aconteceu nas duas últimas pesquisas. Saiu do levantamento a cidade de Jaci, no interior de São Paulo, e entrou a cidade de Planalto, também no interior paulista.

O método utilizado pelo Vox Populi para escolher os municípios, o da Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), é o mesmo usado pelo Ibope que, no entanto, não repete a mesma lista de cidades em todas as pesquisas.

Já o Datafolha sorteia cidades e bairros pesquisados a cada nova pesquisa eleitoral. Trata-se de “cuidado para evitar ações de partidos nos locais de pesquisa, e para evitar que os mesmos moradores de um bairro sejam entrevistados diversas vezes, viciando a mostra”.

Este cuidado que o Datafolha revela, o Vox Populi despreza. (Veja)

Por Lauro Jardim

Jeito de caminhar pode aumentar chances de ser assaltado


É possível 'aprender a andar direito' para evitar ataques (Foto: Stig Nygaard)

A forma como as pessoas caminham pode influenciar na probabilidade de elas serem assaltadas, segundo uma série de pesquisas feita por cientistas. A boa notícia é que podemos mudar a forma como caminhamos para reduzir as chances de assalto. A forma como caminhamos "entrega" muito a nosso respeito. Talvez até demais, se estivermos sendo observados pela pessoa errada.

A maior parte dos assaltos na rua é cometida por um grupo pequeno de criminosos. E esses assaltos são distribuídos de forma desigual na população: algumas pessoas são assaltadas várias vezes, enquanto outras nunca passam por isso. A questão de quem é assaltado e quem é poupado vem sendo estudada por cientistas desde os anos 1980.

Leia mais em BBC

Bancários decidem por greve nacional por tempo indeterminado


Paralisação começa nesta terça (Foto: Reuters)

Os bancários rejeitaram ontem mais uma proposta de reajuste salarial e aprovaram o início de greve nacional por tempo indeterminado para esta terça-feira. A última paralisação dos bancários ocorreu entre setembro e outubro do ano passado e durou mais de 20 dias. Confirmaram adesão à greve os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Piauí, Acre, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão, Amapá, Rondônia e alguns municípios do Rio Grande do Sul.

Contudo, nem todas as assembleias terminaram no país. Entre outras reivindicações, eles defendem um aumento de 12,5%, com ganho real de 5,8%. Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou alta de 6,35% no período de 12 meses encerrado em agosto.

Leia mais em Veja

Com Petrobras arrombada, Dilma posa de xerife



Debate entre os candidatos à Presidência da República na TV Record em São Paulo
Foto: Fernando Donasci / O Globo

“Uma coisa tem que ficar clara”, disse Dilma Rousseff, no debate presidencial veiculado pela Record, ao tentar distanciar-se do escândalo de corrupção da Petrobras. “Quem demitiu o Paulo Roberto fui eu. A Polícia Federal do meu governo investigou todos esses malfeitos, esses crimes, esses ilícitos. E eu sou a única candidata que apresentei propostas concretas de combate à corrupção, principalmente à impunidade. Como, por exemplo, tornar o crime de caixa dois um crime eleitoral…”

Dilma tentava responder a ataques feitos pelo tucano Aécio Neves e pelo Pastor Everaldo. Faltou-lhe, porém, um mínimo de nexo. Nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras em 2004, sob Lula, Paulo Roberto Costa, o delator da petroroubalheira, deixou a estatal em 2012, segundo ano da gestão Dilma. Mas saiu sob rasgados elogios pelos “bons serviços” prestados.

Dilma sobe e Brasil despenca



A bolsa paulista recuava fortemente nos primeiros negócios desta segunda-feira, depois que novas pesquisas mostraram a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, avançando ainda mais na corrida presidencial, ao mesmo tempo em que não se confirmaram boatos da sexta-feira de reportagens muito negativas aos petistas em revistas no fim de semana. 

Às 10h20, o Ibovespa recuava 5,37 por cento, a 54.142 pontos. As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras desabavam mais de 10 por cento. Se Dilma for reeleita, analistas e profissionais do mercado financeiro veem com ceticismo a possibilidade de mudanças na política econômica. A possibilidade maior que pesquisas eleitorais de agosto trouxeram de mudança no comando do Palácio do Planalto motivou forte alta da Bovespa naquele mês. 

Nesta sessão, o quadro externo desfavorável corroborava para as perdas no mercado acionário local, com declínio nas bolsas europeias e nos índices futuros norte-americanos e nas bolsas europeias, em meio a manifestações civis em Hong Kong.(Estadão)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Doleiro Youssef fará 'confissão total', garante advogado


O doleiro Alberto Youssef

Preso pela Operação Lava Jato da Polícia Federal e alvo de ações que o acusam de uma série de crimes, o doleiro Alberto Youssef vai fazer uma "confissão total dos fatos" nos depoimentos que prestará nos próximos dias, segundo o seu advogado, Antonio Figueiredo Basto. Youssef será ouvido a partir de um acordo de delação premiada, na qual diz o que sabe aos investigadores em troca de redução da pena. Esse acordo precisa ser aprovado pela Justiça, algo que ainda não ocorreu. "Acordo de colaboração pressupõe a confissão integral dos fatos, responder todos os fatos que for perguntado, a responsabilidade em colaborar com a Justiça", afirmou o advogado do doleiro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. "As outras pessoas (apontadas por Youssef) vão ter o direito de se defender", ressaltou Basto.

Leia mais em Veja.com

domingo, 28 de setembro de 2014

A racionalidade parece triunfar sobre a esquisitice: Serra lidera para o Senado com 37%; Suplicy está com 30%


Ufa!

Em São Paulo, a razão triunfa. O tucano Geraldo Alckmin parece caminhar para uma eleição segura ainda no primeiro turno, e José Serra (PSDB), tudo indica, dará um cartão vermelho a Eduardo Suplicy (PT), que deve se despedir do Senado depois de 24 anos sem ter o que dizer, o que propor, o que fazer. Se não me engano, nesses anos todos, ele cantou, declamou e submeteu o Estado a alguns vexames.

Segundo o Datafolha, o tucano abriu uma boa vantagem sobre o petista na disputa pelo Senado: passou de 34% no levantamento feito há 15 dias para 37% agora. Já o petista oscilou de 31% para 30%. A diferença, que era de três pontos, dentro da margem de erro, é agora de sete. Gilberto Kassab (PSD) aparece com 10%.

POR QUE O TERCEIRO ‘POSTE’ DE LULA NÃO DEU CERTO


O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (d), durante ato político acompanhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Santo André, no Grande ABC (SP)

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (d), durante ato político acompanhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Santo André, no Grande ABC (SP)

A menos que a eleição para o governo de São Paulo produza uma reviravolta histórica, o Partido dos Trabalhadores não chegará ao segundo turno – isso se houver segundo turno. Segundo as pesquisas eleitorais, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, lançado na disputa como o “terceiro poste” do ex-presidente Lula, deve fracassar na tentativa de conquistar o eleitorado paulista e realizar a maior obsessão de seu padrinho político: desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes depois de quase duas décadas.

Após três meses de campanha, Padilha não conseguiu sequer atingir dois dígitos nas pesquisas. Contra o desempenho do PT, que nas eleições recentes amealhou 30% dos votos, o ex-ministro chega à última semana com 9%, segundo o Datafolha. Se o prognóstico se confirmar nas urnas, o percentual representa apenas um quarto dos 35,21% dos votos atingidos em 2010 pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), candidato do PT com o melhor desempenho até hoje, mas derrotado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Há doze anos (três eleições seguidas), o PT consegue mais de 30% dos votos no Estado. Se permanecer abaixo dos dois dígitos, Padilha repetirá um resultado que o PT paulista não amarga desde 1990, quando o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (morto em julho deste ano) teve o pior desempenho de um candidato petista, com 9,55% dos votos válidos.

O ‘Efeito Papuda’ veio para ficar


Complexo Penitenciário da Papuda (Foto: Arquivo Google)
Complexo Penitenciário da Papuda (Imagem: Arquivo Google)

Elio Gaspari, O Globo

Em 1500, quando Pedro Álvares Cabral chegou à Bahia, deixou dois degredados na praia. Um deles chamava-se Afonso Ribeiro. Tinha dezoito anos, trabalhara com um grão-senhor e metera-se num assassinato. Ele viveu anos no meio dos índios e, não se sabe como, acabou resgatado por outra expedição, regressando à Europa.

Contou sua história a um tabelião, mas até hoje o papel não foi achado. Por suas artes e pela sorte, a pena de degredo deu em nada e Afonso Ribeiro pode ser considerado o patrono das pessoas que se safam da lei. Passaram-se 514 anos e a bancada de maganos que está presa na Papuda mostra que essa escrita começa a ser quebrada.

A ideia segundo a qual “isso não vai dar em nada“ perdeu eficácia. Pode ser que não dê, mas se der, a cana está lá. Foi essa percepção que levou Paulo Roberto Costa, um poderoso ex-diretor da Petrobras, a colaborar com o Ministério Público. Seguiram-no o operador de câmbio da rede financeira de Alberto Yousseff e, na semana passada, o próprio.

Em todos os casos, preferiram trocar de lado, contando o que sabem, a arriscar décadas de cadeia. (Pelo “efeito Papuda”, Marcos Valério, o mago do caixa dois do mensalão foi condenado a 40 anos de prisão e José Dirceu, chefe da Casa Civil e “técnico” do time de Lula, a dez, podendo passar ao regime aberto ainda este ano.)

Paulo Roberto Costa e Yousseff decidiram colaborar, contrariando a opinião de advogados. O que eles têm a contar ultrapassa de muito o acervo de informações que Marcos Valério detém.

Em suas operações há as digitais de grandes bancos, empreiteiras e empresas internacionais de comércio exterior. Se o Ministério Público e juiz federal Sérgio Moro trabalharem direito e em paz, poderão expor a maior e mais antiga rede de maracutaias nacionais. Coisa tentada sem sucesso em dezenas de processos e diversas CPIs.

Foi com a colaboração de delinquentes que a Justiça americana quebrou a espinha dorsal de camarilhas de Wall Street e da Máfia. Um de seus chefões, Tommaso Buscetta (Don Masino) operava no Brasil e foi preso em 1972. Sua captura foi apresentada pela ditadura como uma demonstração da eficiência da polícia.

Afinal, ele fora interrogado pelo delegado Sérgio Fleury, o vice-rei da repressão política. Palhaçada. Extraditado para a Itália, acabou levado para os Estados Unidos. Lá, ninguém lhe encostou a mão e ele passou a colaborar com a Justiça, tornando-se o primeiro “capo” a revelar a rede de operações e influências da Máfia. Ganhou nova identidade, fez uma plástica e morreu em 2000.

A colaboração de Paulo Roberto e Yousseff demanda paciência e tempo, com o prosseguimento de interrogatórios e acareações. Não haveria Paulo Roberto sem conluio com grandes empresas nacionais e estrangeiras.

Da mesma forma, não haveria Yousseff sem bancos que operassem suas traficâncias. Em todos os casos, o melhor que essas empresas têm a fazer é seguir o exemplo da Siemens, que ajudou a desvendar a rede de propinas na venda de equipamentos para governos tucanos de São Paulo.

A ideia segundo a qual só há corrupção na política contém um vício. Se a corrupção fosse só dos políticos, no caso do parlamentares, os doutores iriam a Brasília na segunda-feira e ficariam até quinta trocando propinas. Se fosse assim, na sexta a conta ficaria zerada. Falta botar na roda as empresas que movem o circo, e essa é a trilha que Paulo Roberto Costa e Yousseff podem mostrar à Viúva.

Segundo a Veja, campanha da Dilma foi paga com dinheiro sujo da Petrobras em 2010.

Há três semanas, VEJA revelou que o ex-diretor da Petrobras havia dado às autoridades o nome de mais de trinta políticos beneficiários do esquema de corrupção. A lista, àquela altura, já incluía algumas das mais altas autoridades do país e integrantes dos partidos da base de apoio do governo do PT. Ficou delineada a existência de um propinoduto cujo objetivo, ao fim e ao cabo, era manter firme a adesão dos partidos de sustentação ao governo. 


O esquema foi logo apelidado de “petrolão”, o irmão mais robusto mas menos conhecido do mensalão, dessa vez financiado por propinas cobradas de empresas com negócios com a Petrobras. À medida que avançava nos depoimentos, Paulo Roberto ia dando mais detalhes sobre o funcionamento do esquema e as utilidades diversas do dinheiro que dele jorrava. Era tudo tão bizarro, audacioso, inescrupuloso e surpreendente mesmo para os padrões da corrupção no mundo oficial brasileiro, que alguém comparou o esquema a um “elefante-voador” — algo pesadamente inacreditável, mas cuja silhueta estava lá bem visível nos céus de Brasília.

A reportagem de VEJA estampada na capa da edição de 10 de setembro passado revelou a mais nítida imagem do bicho. Ninguém contestou as informações. Agora, surge mais um “elefante-voador” originário do mesmo ninho do anterior. Paulo Roberto Costa contou às autoridades que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, então coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff. 

O ex-diretor relatou ter recebido o pedido de pelo menos 2 milhões de reais para a campanha presidencial do PT. A conversa, segundo o ele, se deu antes do primeiro turno das eleições. Antonio Palocci conhecia bem os meandros da estatal. Como ministro da Fazenda, havia integrado seu conselho de administração. Era de casa, portanto, e como tal tinha acesso aos principais dirigentes da companhia.Aos investigadores, Paulo Roberto Costa contou que a contribuição que o ex-ministro pediu para a campanha de Dilma sairia da “cota do PP” na Petrobras.

Quando as autoridades quiseram saber se o dinheiro chegou ao caixa de campanha de Dilma em 2010, Paulo Roberto limitou-se a dizer que acionou o doleiro Youssef para providenciar a “ajuda”. Pelo trecho da delação a que VEJA teve acesso, Paulo Roberto Costa diz não poder ter certeza de que Youssef deu o dinheiro pedido pela campanha de Dilma, mas que “aparentemente” isso ocorreu, pois Antônio Palocci não voltou a procurá-lo.